Eu não sou rude na frente das pessoas que eu não conheço, mas digo que gosto de contar piadas sujas de vez em quando. Não sou essa garota pura que todos pensam que sou. Também gosto de praguejar! Gostaria de dizer que "foda-se" é meu palavrão favorito. Esta é uma palavra muito boa.

 

Jennifer Aniston
Atriz, 42 anos, que sempre representou personagens comportados na TV e no cinema, ao afirmar que com a idade passou a ter mais atitudes ditas inconseqüentes.
Outubro 2011

Jennifer Aniston - Foto: Todd Williamson



Diz a sabedoria popular que se não conhecemos direito nem a nós mesmos, como poderemos conhecer as outras pessoas? Isso é nada mais do que a verdade e exemplo disso é o desabafo de Jennifer Aniston. Garota sempre tida como super comportada, imagem reforçada por todos os papeis que representou nas telas grande e pequena, especialmente no seriado Friends, campeão de audiência na TV americana, ninguém imaginava que essa garota, tão comportada, gostasse de contar piadas sujas e de falar palavrões. Embora possa parecer algo grotesco para algumas pessoas, da classe das mais sensíveis, é uma atitude perfeitamente encaixada dentro dos padrões da normalidade e que, se não faz mal para as outras pessoas, não pode ser recriminada. Embora hajam opiniões discordantes, é consenso entre várias pessoas que o ato de se falar um palavrão é altamente libertador, pois promove uma afronta a uma suposta regra moral que, mesmo jamais sendo estabelecida formalmente nas sociedades, é tida como verdadeira quando tomamos como base os padrões estabelecidos de bom comportamento e relacionamento social. E, se temos alguma de nossas atitudes restringida por algum tipo de regra, é incontestável que transgredir essa regra causa uma sensação de liberdade. Não é à toa que "foda-se", a palavra (ou palavrão) preferida da Jennifer Aniston, é tida por muitos como sendo a "palavrinha mágica", capaz de resolver todo e qualquer problema numa questão de segundos. E quem não gosta de ter seus problemas resolvidos dessa forma?

As pessoas, no convívio cotidiano em sociedade, são obrigadas a vestir uma máscara sempre que saem de casa, seja para o trabalho, seja para o lazer. E todas as pessoas possuem uma coleção dessas máscaras, usando uma diferente para cada local onde pretendem ir. Sempre que estamos com alguém, devemos ter em conta que provavelmente essa pessoa está usando uma de suas máscaras. E nós também, mesmo sem percebermos, também estaremos usando uma de nossas máscaras. Tudo isso é uma atitude inconsciente, que realizamos a todo momento, sem percebermos. Se saímos com nossos amigos íntimos, a máscara é uma, mas se vamos para uma entrevista formal de emprego, a máscara será outra. Quando vamos trabalhar, vestimos a máscara adequada para o ambiente de trabalho, mas se vamos para a uma festa familiar de aniversário da sobrinha, a máscara será diferente,com certeza. E se tudo é assim, quem somos nós, numa realidade crua, sem nenhum tipo de máscara? São tantas as máscaras usadas que poderíamos nos definir como sendo uma miscelânea de todos esses personagens que representamos cotidianamente, mas essa, do ponto de vista psicanalítico, seria uma definição falha. Na verdade, o nosso eu verdadeiro é aquele que percebemos quando estamos sozinhos, somente com nós mesmos, com nossos medos, nossas angústias, nossas ambições e desejos. É necessário uma percepção acurada para nos conhecermos. E, se mergulharmos a fundo nesse aspecto, poderemos ter muitas surpresas. Não basta apenas olharmos no espelho para que possamos nos conhecer.

Aquele chefe todo formal que você encontra todos os dias no seu emprego pode muito bem ser uma pessoa totalmente brincalhona, que adora contar uma piadinha suja e falar um monte de palavrões, tal como a Jennifer Aniston. O seu médico, todo sério e dedicado, que fica lhe fazendo mil perguntas chatas durante as consultas, pode muito bem ser o chefe de uma quadrilha de tráfico de armas pesadas para os países do oriente médio. Vai saber... E aquela patricinha que você encontra de vez em quando, toda comportada e cheia de não-me-toques, que você jura que é virgem, pode ser a mais libidinosa das mulheres desse planeta, com um currículo capaz de fazer inveja a qualquer Cicciolina que queira encará-la. Não duvide! Talvez seja esse o motivo de vários casamentos fracassarem. Os namorados usam uma máscara, a melhor possível, para impressionar e cativar seu par, mas na vida conjugal, quando se dorme e acorda ao lado da outra pessoa todos os dias, a máscara cai. Não dá para ninguém ficar representando o tempo todo, dia a dia, durante todas as vinte e quatro horas. E desvendar o eu de uma pessoa, ou seja, enxergá-la sem máscara e sem maquiagem, pode ser uma experiência altamente traumática. Ja pensou se você descobre que sua esposa, com a qual você se casou faz poucos dias, é uma pessoa que adora saborear baratas cruas temperadas com limão? Bem, ou você desiste de beijá-la, para sempre, ou passa a utilizar a palavrinha preferida de nossa amiga Jennifer Aniston e seja feliz, mas não me convide para almoçar na sua casa.

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