Mike Tyson posteriormente contou aos meus pais e a alguns amigos que Gordon lhe disse que, se quisesse dormir comigo, teria que pagar cem mil dólares. Eu ia em bordéis e tudo mais... Tudo o que eu era contra. Ele me fez fazer a Playboy duas vezes e ainda tive que dar entrevistas e dizer: "Oh não, foi tudo idéia minha!" E tinha que fazer isso porque sabia que ele faria aquilo de novo. Escrevi este livro para as mulheres. Foi muito difícil porque quando Gordon se casou comigo eu era uma Testemunha de Jeová rígida que não sabia nada do mundo. Tinha 29 anos, que passei no meio de pessoas religiosas, mas tinha 16 anos de idade mental e não conhecia o mundo e o que as pessoas fazem. Nem todo mundo é honesto e eu acreditava em tudo o que me diziam.

 

La Toya Jackson
Cantora, 55 anos, que lançou sua autobiografia, Starting Over, desabafando sobre seu falecido marido, Jack Gordon, que, segundo ela, lhe espancava com frequencia.
Julho 2011

Foto: FlynetPictures.com



Esse é um típico caso do que chamamos de "violência doméstica", que ocorre em grande parte dos lares do Brasil e do mundo. É mais comum nos casos onde o homem subjuga a mulher, mas existem casos onde o homem é o subjugado. Resume-se num extremo sentimento de posse de uma pessoa sobre a outra de forma que, às custas de agressão física, a pessoa dominante exige que a outra se comporte da maneira que deseja e faça suas vontades. É uma atitude condenável, que afronta todos os princípios básicos de direitos individuais, liberdade e razão. É uma atitude primitiva, que não encontra respaldo algum em uma sociedade moderna, mas infelizmente existe e é um fato concreto. Vale ressaltar que a violência doméstica pode ser física ou moral e, em ambos os casos, proporciona danos para a pessoa que é vítima das agressões. É caso de polícia, mas nem sempre a vítima procura auxílio, com medo de retaliações e novas agressões. O que se passa dentro de um lar, entre quatro paredes, dificilmente é dado a saber por outras pessoas, senão aquelas que lá residem. Isso faz refletir que as estatísticas dos casos de violência doméstica somente são baseadas em casos registrados, onde ocorreu a denúncia, e representam um número muito menor do que aquele que realmente ocorre no cotidiano. E tudo isso acaba virando um círculo vicioso difícil de ser rompido, com a violência sendo alimentada por ela própria num interminável vai e vem de de agressões. É necessário que a pessoa agredida tome uma atitude, seja qual for, com vistas a impedir a continuidade dos ataques que sofre. Tudo isso tem um preço, mas é um preço que deve ser pago. Pior é calar-se e consentir com tudo.

O marido de La Toya faleceu em 2005, vítima de câncer. Não sabemos até que ponto os relatos dela são verdadeiros, pois é fácil falar de uma pessoa morta, que não pode se manifestar. Tudo bem que os antecedentes de Jack Gordon não são lá favoráveis, tendo sido ele inclusive acusado de vários delitos, inclusive de um assassinato, mas soa muito estranho La Toya relatar em sua autobiografia tantas atrocidades que ele cometia contra ela e ter ela permanecido calada durante tanto tempo, como se concordasse em ser agredida. Disse ela que, durante os sete anos que durou seu casamento, era espancada, ameaçada de morte, obrigada a fazer sexo grupal entre outras coisas. Muito estranho ela, que é de família influente e totalmente independente financeiramente, ter consentido com tudo isso e se calado durante todos esses anos. Mais estranho ainda é o fato de que, levando-se em conta que dinheiro nunca deve ter sido problema para eles, pois ela é milionária, seu marido a tenha ofericido ao ex-boxeador Mike Tyson por cem mil dólares. Estariam eles passando dificuldadade financeiras? Muito improvável. A história até pode ter alguns trechos verídicos, mas é o relato subjetivo de uma pessoa e que levanta muitas dúvidas quanto à sua veracidade. Por que ela se casou com Jack? Diz ela ter sido forçada a fazer isso. Mais estranho ainda. Fica em xeque todo o relato de La Toya. Por mais ingênua que seja uma pessoa, somente uma pessoa doente, incapacitada mentalmente, se sujeitaria a tudo isso que ela relatou ter acontecido com ela. Estaria ela, hoje, querendo publicidade? Talvez...

La Toya termina seu desabafo dizendo que nem todo mundo é honesto e que ela acreditava em tudo o que as pessoas diziam, referindo-se ao seu falecido marido. É uma frase verdadeira e cujo conteúdo também serve para ela própria. Que nem todo mundo é honesto é fato e ela própria pode não estar sendo honesta em seus relatos. Ela diz também que acreditava em tudo o que as pessoas diziam, como se estivesse recriminando-se e tentando justificar-se pelo erro cometido, ou seja, segundo ela, não se deve acreditar em tudo o que as pessoas dizem e ela cometeu o erro de acreditar. Devemos então, de acordo com sua própria filosofia, acreditar em tudo o que ela diz, cometendo o mesmo erro que diz ela ter cometido?

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