Eu nasci de novo! Pelo laudo médico, se demorasse mais cinco minutos eu poderia ter chegado ao hospital morto. Só fiquei sabendo disso na terça-feira quando gravamos o Programa do Jô. Quando eu falei aquela besteira no palco, de que iríamos nos separar, eu já sabia que ficaríamos bem no outro dia. O que me abalou foi ter ido para o hospital. Agradeço demais a Deus. Estava pê da vida. Não bebo, mas tomei uísque junto com o pedaço de um remédio para dormir. Fiz isso para potencializar o efeito e pegar no sono mais rápido, mas o que me levou mesmo ao hospital foi ter tomado um comprimido de diurético de 5 mg, quando o certo seria de 2,5 mg, e não ter lembrado de pegar o potássio. Foi uma série de coincidências infelizes. Acabei dormindo muito. Acordei, fui ao banheiro e, quando voltei, minha mulher viu que eu estava suando frio. Ela percebeu que tinha alguma coisa errada e começou a chamar todo mundo. Se não fosse por ela, não estaria vivo. Eu não sou hipocondríaco, tenho um problema de sério de saúde!

 

Luciano
Cantor, 38 anos, sobre a declaração que deu em um show, dizendo que iria se separar de seu irmão, Zezé di Camargo, com quem faz uma dupla sertaneja, e sua posterior internação em caráter de emergência.
Novembro 2011

Luciano - Foto: Fotoarena



O desabafo do cantor Luciano funciona como uma verdadeira lição daquilo que não se deve fazer. Por bem ele reconheceu todos os seus erros e, de certa forma, isso funciona para que não os cometa novamente. O primeiro deles foi, conforme ele mesmo reconhece, ter tomado uísque juntamente com um "pedaço" de remédio para dormir. De acordo com seu relato, ele fez isso para potencializar o efeito do remédio e pegar no sono mais rápido: um grande erro, pois ele jamais seria capaz de ter conhecimento prévio de quanto o alcool poderia potencializar o remédio. Não é assim que se aumenta o efeito de uma medicação. O remédio que ele tomou para dormir provavelmente deveria ser um depressor do sistema nervoso central e o alcool também funciona como depressor do sistema nervoso central. Misturando-se o alcool com o remédio, um acaba por potencializar o efeito do outro e o resultado acaba não sendo terapêutico. No caso, o que deveria ser feito seria, com a devida supervisão médica, tomar um comprimido inteiro do medicamento ao invés de ter tomado meio comprimido misturado com uísque. E sabe-se lá o quanto de uísque que ele tomou...

Outro erro foi ter tomado 5mg de um medicamento, no caso o diurético, ao invés da dose correta que era 2,5mg. Some-se a isso um outro erro, que foi ter esquecido de tomar a medicação complementar, erro que também ele próprio reconhece. Não obstante todos esses erros cometidos, referentes às medicações que foram ingeridas, houve o episódio onde ele se descontrolou e anunciou no palco, durante um show, a separação da dupla que forma com seu irmão. Se ele sabia que ficariam bem no outro dia, não precisava ter feito esse alarde todo em público e ganhado as manchetes jornalísticas com uma notícia desse tipo. Mas depois de tudo isso, Luciano pôde agradecer por estar vivo, e com toda razão, por ter sido contemplado com dois episódios, talvez ocorridos devido à sorte, que o ajudaram a buscar auxílio em tempo. O primeiro deles foi ter estado na companhia de sua esposa, que percebeu que ele não passava bem e pediu ajuda. O segundo foi ter sido socorrido de maneira ágil e ter chegado no hospital em tempo de receber os cuidados necessários, antes que seu quadro se agravasse de uma maneira irreversível, conforme o próprio laudo médico atestou.

Depois de passado o susto, juntamente com o cantor, podemos agradecer a Deus por tudo ter corrido bem e Luciano estar fora de perigo. O que fica de um episódio como esse são as lições que ele proporciona, válidas não somente para quem o vivenciou diretamente, no caso Luciano e sua família, mas também para todas as pessoas que dele tomaram conhecimento. Os medicamentos foram feitos para salvar vidas, mas se administrados incorretamente podem justamente proporcionar o efeito contrário. E se a esposa de Luciano não estivesse com ele no momento em que ele estava passando mal? E se no trajeto até o hospital houvesse um engarrafamento no trânsito e ele tivesse atrasado para chegar? E se ele tivesse, por acaso e por um grande azar, ter sido levado para um hospital público, do governo? A resposta para todas essas perguntas, especialmente para a última, é bastante óbvia: ele certamente teria morrido! Ele foi salvo porque recebeu um atendimento de primeiro nível, num hospital particular. Já que tocamos no assunto, penetrando mais a fundo na ferida, podemos afirmar com segurança que ele foi salvo porque não é pobre, porque tem condições de arcar com os custos de um tratamento realizado em caráter particular. Mas, e quem é pobre, como fica? De acordo com as atitudes do governo brasileiro, responsável direto por todos os hospitais da rede pública, fica muito mais barato e preferível construir cemitérios do que manter hospitais. Infelizmente, a realidade é essa...

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