Sou vegetariana por compaixão aos animais. Tudo aconteceu quando eu tinha 16 anos e estava na sala de espera de uma clínica para uma consulta médica. Li uma matéria sobre matadouros e comecei a chorar. Foi horrível ver aquilo. Foi aí que decidi não comer mais carne vermelha, também por ter uma ligação com os animais. Entrei para o budismo e me perguntei "por que comer um animal e o outro não?" Tive compaixão por todos animais. As pessoas falam que vou ficar doente, mas tenho uma saúde de ferro e todo mundo em minha casa também é saudável por ser vegetariano.

 

Patrícia Marx
Cantora, 37 anos, relatando como começou a não mais gostar de se alimentar de carne vermelha até se tornar uma vegetariana completa.
Dezembro 2011

Patrícia Marx - Foto: Divulgação



Na verdade, quando Patrícia Marx optou por não mais comer carne vermelha, ela não era ainda uma vegetariana. Vegetariano é o indivíduo que se alimenta exclusivamente de vegetais, sejam eles frutas, grãos, frutos secos etc. Se Patrícia, no início, ainda de alimentava de carne branca, como aves e peixes, não era de forma alguma vegetariana. A partir do momento em que decidiu parar de comer carne de quaisquer animais, alimentando-se exclusivamente de vegetais, é que podemos dizer que passou a ser vegetariana, exemplo também seguido por seu filho, de doze anos, quando descobriu as atrocidades que cometem com os animais. Patrícia é ativista do vegetarianismo, dá palestras, vai a congressos relacionados e participa de ações em defesa dos animais. Mostra que a questão do vegetarianismo possui outras vertentes que o público não conhece: Para alimentar o gado de corte, os criadores devastam florestas para plantar soja, que é utilizada como alimento para engorda dos animais. Dessa forma, Patrícia, que é vegetariana por compaixão para com os animais, conclui dizendo que os vegetarianos também contribuem para a preservação do meio ambiente.

Se por um lado os animais contam com diversas organizações não-governamentais que lutam em sua defesa, que são uma ínfima minoria em nosso planeta, por outro contam com o descaso de bilhões de pessoas que jamais se importaram com eles. A maioria dos vegetarianos se tornou assim por comiseração dos animais, pois sabem do grande sofrimento pelo qual eles passam para que sua carne chegue aos pratos de quem deles de alimenta. O processo não é tão simplório como a maioria das pessoas pensa. Durante a cria e fase de engorda, os animais são constantemente maltratados, seja pelos próprios criadores, seja pelas péssimas condições onde vivem. O abate é doloroso e o animal sofre muito, por vezes agonizando por horas antes de morrer. Como diz o ditado popular, se pimenta nos olhos dos outros é refresco, o que se dirá então nos olhos de um animal? O grande engano da maioria das pessoas que não se preocupa com os animais é achar que eles não possuem sentimentos, é achar que eles não sentem dor. Para surpresa dessas pessoas, podemos afirmar tranquilamente e com absoluta segurança que os animais conseguem ser melhores e ter mais valor do que muitos seres humanos que existem mundo afora, que literalmente não valem nem a roupa que vestem.

O vegetarianismo, se tomado como sendo natural, levanta um paradoxo. Como pode ser algo da natureza se na própria natureza encontramos o abate de animais por outros para servirem de refeição? Isso, por exemplo, ocorre a todo instante nas savanas africanas e em dezenas de lugares naturais mundo afora. E se esses animais que abatem outros para se alimentarem não fizerem isso, simplesmente morrerão. Daí concluímos que o vegetarianismo é uma opção única e particular do ser humano, mas não um caminho criado pela natureza. Pelo contrário, a natureza, do modo que é, chega até a favorecer o consumo de carne. O que ela não favorece é que esse consumo seja feito às custas do intenso sofrimento animal, que é a forma utilizada pelo homem de hoje para consumir carne. Haveria então alguma maneira para que pudéssemos consumir carne sem que o animal a ser abatido passasse por dor e sofrimento? Claro que sim, mas como tudo nesse mundo, existe o empecilho causado pelo fator financeiro. Qualquer atitude que venha a ser tomada para minimizar o sofrimento animal implicará em gastos maiores e isso os produtores e donos de matadouros jamais aceitarão. Para eles a palavra de ordem é "lucro" e nunca serão eles capazes de gastar um único centavo sequer em benefício do animal que futuramente matarão.

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