É verdade, e acho que um pouco disso é por causa que não fico fora muito tempo. Geralmente estou em uma sessão de fotos ou indo dormir cedo. Realmente não tenho a chance de conhecer pessoas que não sejam empresários em aviões. E eles são todos casados e muito mais velhos.

 

Bar Refaeli
Modelo, 27 anos, número 01 na lista HOT 100 desse ano da revista Maxim, ao ser indagada sobre por que não é tão convidada para sair.
Agosto 2012

Bar Refaeli - Foto:  Jason Kempin



Antes de mais nada, se esse for realmente o problema, o autor desse texto coloca-se à disposição da moça para um encontro e quem sabe futuro relacionamento. Brincadeiras à parte, o desabafo de Bar Refaeli também é identificável em inúmeras pessoas mundo afora. Num mundo onde todos dependem do dinheiro para sobreviver, num mundo onde praticamente tudo é realizado em função do dinheiro, nada mais natural que exista essa necessidade extrema de trabalhar e, com o trabalho, obter o tão almejado e indispensável dinheiro. Essa colocação pode parecer deveras materialista, pois alguns ainda poderiam indagar que existem valores morais mais importantes que o dinheiro, tais como o amor ou a fraternidade. Grande engano e mistura de conceitos. Estamos aqui abordando um assunto diferente do da magnitude de valores num conceito filosófico mais amplo. Aqui falamos de sobrevivência no planeta Terra, de uma vida tida como confortável e cômoda, e para isso, independente de outros valores que possam ser considerados, o dinheiro é absolutamente necessário. Infelizmente ninguém consegue viver somente de amor ou de fraternidade. Se diz o ditado popular que "amor não mata a fome", podemos ainda tornar o pensamento mais dramático emendando que mesmo o mais puro dos amores pode sofrer com a falta de dinheiro, pois infelizmente esse último ainda se faz necessário para o seu cultivo. Quer queiramos ou não, quer concordemos ou não, é assim que as coisas funcionam nesse mundo e, se quisermos viver bem, devemos nos render ao trabalho e ao dinheiro que ele proporciona. Essa é a regra, estamos sob seu domínio e somos todos obrigados a jogar com ela.

Desenvolvendo esse raciocínio, acabamos por nos deparar com o conhecido dilema: trabalhar para viver ou viver para trabalhar? Se trabalha-se para viver, ganha-se menos dinheiro, mas por outro lado consegue-se desfrutar, pelo menos um pouco, de alguns prazeres que a vida pode oferecer, proporcionais ao dinheiro que neles será investido. Ao contrário, se vive-se para trabalhar, ganha-se mais dinheiro, talvez bem mais, mas não há chance de que sejam desfrutados muitos dos prazeres da vida durante o período em que se está trabalhando em excesso. E esse é exatamente o motivo do desabafo de Bar Refaeli. Por conta do trabalho, a garota reclama por não ter tempo de fazer o que muitas outras, que não trabalham tanto quanto ela, fazem constantemente. Dentro de um contexto maior, fica fácil perceber que existe uma excessiva dramatização no desabafo da modelo, pois na verdade as coisas não são bem assim como ela está expondo, a ponto de só poder conhecer pessoas novas dentro de um avião. Em seu trabalho, suas oportunidades de conhecer novas pessoas são muito maiores do que se tivesse qualquer outra atividade menos intensa. Frequentemente a modelo é vista em festas e na companhia das mais variadas pessoas e não é nada fácil acreditar que faltem convites para ela sair com alguém, conforme ela mesma afirma. Muito pelo contrário, convites são o que mais deve existir na vida da garota, igualmente quando se fala em oportunidades para conhecer novas pessoas. Se ela está trabalhando muito, seu trabalho pode ser considerado como uma particularidade onde, além de se ganhar muitíssimo bem, existe nele a oportunidade de, mesmo trabalhando muito, poder desfrutar intensamente da vida.

Novamente, a solução que se mostra sensata para o dilema mostrado, tal qual a que se encaixa para praticamente todos os problemas da vida, é a ponderação. Para tudo nessa vida deve-se visualizar uma balança imaginária, com dois pratos, pesando igualmente os prós e contras de cada assunto abordado e a atitude a ser tomada deverá ser exatamente o meio-termo dos dois extremos considerados. Com algumas exceções, essa regra funciona para praticamente tudo na vida, a não ser, por exemplo, nos casos onde se faz necessária uma ação firme e direcional, que trará mais vantagens se for intensa e abundante. No caso em questão, é óbvio que tanto o excesso de trabalho como a falta dele não é algo satisfatório para se viver confortavelmente nos dias de hoje. O que deve ser almejado é o ponto de equilíbrio, onde se consiga obter um ganho razoavelmente bom sem que se tenha que trabalhar excessivamente. Dessa maneira consegue-se conciliar o trabalho com o lazer, a obrigação com a diversão, e aquela sensação de tempo de vida perdido não fica tão intensa. Devemos nos atentar que cada momento de nossa vida é único e irreversível. O que fazemos ou deixamos de fazer numa dada época de nossa vida é algo que não pode ser corrigido no futuro. Exemplificando, por conta do trabalho excessivo, se deixamos de fazer uma viagem agora para fazê-la depois, devemos nos ater que quando ela for feita no futuro não será jamais a mesma se fosse feita agora, pois mesmo que o destino seja para o exato lugar para onde ela foi planejada anteriormente, nós não seremos mais os mesmos de hoje, as pessoas do lugar de destino não serão mais as mesmas e o próprio lugar pode ainda ter se modificado. Tudo isso pode parecer cruel, mas é assim que é a vida.


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