Eu quase me matei umas três, quatro, sete vezes. Eu literalmente comecei a planejar minha morte e o que eu gostaria de deixar para trás, e o que eu iria escrever. Três ou quatro vezes na minha vida. O que eu finalmente percebi, pelo menos no final dessa história, é que Deus, pelo menos do modo que eu conheço Deus, estava lá o tempo todo. Assim que eu fui capaz de entender a minha realidade dessa maneira, eu não mais me senti como uma vítima.

 

Billy Corgan
Vocalista da banda Smashing Pumpkins, 45 anos, desabafando sobre seus episódios de depressão nos quais já pensou em se matar várias vezes.
Outubro 2012

Billy Corgan - Foto: Theo Wargo



Muitas crendices e crenças existem a respeito do suicídio, a maioria delas de cunho supersticioso, fruto da imaginação e do medo humana. A bem da verdade, o suicídio nada mais é do que o ato de alguém pôr fim à própria vida, baseado em seus próprios motivos, de cunho particular e pessoal, e que são o resultado de uma vivência que não está a agradar a pessoa. Longe de defender o ato, podemos fazer uma analogia com uma empresa que não vai bem. Sabendo que a finalidade de toda e qualquer empresa comercial é gerar lucro, se uma empresa anda endividada, com baixo faturamento e produção comprometida, o que os seus donos deveriam fazer? A medida mais coerente seria um estudo do caso e após uma análise das deficiências, a implementação das atitudes que devem ser tomadas conforme os problemas observados. Provavelmente seriam incluídos esforços na melhora da produção, redução de custos supérfluos e num marketing adequado e de abrangência. Se mesmo, após tomadas todas essas providências, a empresa continuasse a dar prejuízo, ainda os donos poderiam tentar outras atitudes, mais radicais, para salvá-la. Talvez um acordo com fornecedores, conseguindo prazos mais flexíveis, talvez uma demissão de parte dos funcionários, para reduzir custos ou até mesmo a venda de parte da empresa, numa esperança desesperada de não deixá-la falir. Se mesmo assim nada disso surtir resultado, a única opção seria o fechamento da firma, pondo fim a toda série de tribulações comerciais sofridas. Seria a morte da empresa, pelo motivo dela não estar subsistindo da maneira que deveria subsistir. Uma opção lógica, certa e coerente.

Apenas para efeito elucidativo, seguindo o raciocínio acima exposto, e se a vida de alguém não vai bem, o que deve ser feito? Partindo-se da premissa que todos nós nascemos para sermos felizes, o que deve acontecer com alguém cuja vida não está correspondendo ao seu objetivo principal, que é desfrutar da felicidade? Logicamente essa pessoa deverá tentar de todas as formas resolver o problema que lhe aflige, tentando se reerguer de alguma forma, tomando alguma atitude, mesmo que seja drástica. O que deverá ser feito varia enormemente, de acordo com o tipo de problema enfrentado pela pessoa, de acordo com as particularidades dessa pessoa, seus recursos, sua família, enfim, são tantas as variáveis que isso acaba contribuindo para que mais facilmente seja encontrada uma solução, combinando-se todas elas adequadamente, de uma maneira que venha a favorecer o indivíduo aflito. E se mesmo assim a pessoa continuar infeliz, aflita, vivendo numa vida não condizente com seu merecimento? Logicamente deverá tentar de novo, e quantas vezes mais forem necessárias, implementando mudanças em sua vida, mudando de posicionamento mental, tentando tudo o que for possível para reverter a situação. A maioria das pessoas consegue! Pode não ser fácil, mas definitivamente não é impossível. E se ainda, depois de todas essas tentativas, a pessoa ainda estiver num mar de sofrimento, sem perspectivas de terra à vista? Tal como no raciocínio anterior, a empresa deve ser fechada? É uma pergunta difícil de ser respondida, pois para cada pessoa há de existir uma resposta diferente e somente a própria pessoa será capaz de responder os assuntos que lhe concernem, ninguém mais.

Muitos mitos religiosos cercam o suicídio. Talvez o mais conhecido seja aquele que apregoa que se Deus deu a vida, somente ele pode tirar, o que é claramente um paradoxo, pois se Ele "deu" essa vida, ela já passa a pertencer a quem a recebeu, que sendo dela possuidor, tem autonomia para nela dar o rumo que desejar. Outro fato que cerca o suicídio é o medo do desconhecido, o medo e temor de ninguém saber o que encontrará após a morte. Se as pessoas tivessem certeza que após a morte imediatamente seriam conduzidas ao paraíso, desfrutando prontamente de todas as coisas maravilhosas que podem ser possíveis, certamente haveriam milhares de grupos de suicídio coletivo ao redor do mundo e talvez até quem escreve essas linhas iria fazer parte de um. Mas o caminho até o paraíso pode ser longo e penoso, muito demorado e dolorido, e ninguém sabe o que encontrará. Motivos como esses fazem com que o suicídio seja algo evitado pelas pessoas, mesmo por aquelas que mais sofrem e que teriam motivos de sobra para pôr fim à própria vida. Longe desses mitos religiosos, também é necessário que se pense nos entes queridos, que ainda permanecerão nessa vida e sofrerão com a falta de quem está desejoso de se matar. Devemos ter em mente que nada nessa vida é fácil e nunca será, pois se assim fosse estaríamos morando no paraíso e não no planeta Terra. A borboleta, após sua maturação, precisa sofrer e fazer força para sair de seu casulo, através de uma pequena abertura, e é justamente esse esforço realizado que faz com que o fluído de seu corpo vá para suas asas, dando-lhe a capacidade de voar. Se alguém quer facilitar a vida da borboleta, abrindo o casulo, ela jamais será capaz de voar. Pedimos força, Deus nos dá dificuldades para fazer-nos fortes. Pedimos sabedoria, Deus nos dá problemas para que nos tornemos sábios. Pedimos prosperidade, Deus nos dá um cérebro e músculos para trabalharmos. Agradeçamos ao Senhor e sejamos felizes.


Próximo desabafo Desabafo anterior

VISUALIZAR DESABAFOS DE OUTROS ANOS

www.desabafodromo.com.br