Eu estava passando por um divórcio e pela separação de uma família, o que foi devastador para mim, porque família significa tudo para mim. Eu não queria ser a mulher que ficou na cama por meses. Eu fiz isso um pouco, mas sabia que tinha que superar isso.

 

Jennifer Lopez
Cantora e atriz, 43 anos, desabafando sobre a separação de seu terceiro marido, Marc Anthony, com quem esteve casada durante sete anos e tem dois filhos, ocorrida em julho de 2011.
Dezembro 2012

Jennifer Lopez - Foto: FameFlynet Pictures



Não há dúvida nenhuma que o casamento é um marco na vida de qualquer pessoa. Desde o início da adolescência, os jovens já começam a olhar o sexo oposto com olhos diferentes daqueles que tinham alguns anos antes e nessa fase começam a eclodir as primeiras paixões, num clima onde tudo que é vivenciado é uma descoberta que vai abrindo portas para outras que vão acontecendo sucessivamente. Tempos depois surgem os primeiros relacionamentos, alguns sérios, outros não, mas devido ao caráter totalmente volátil da mente adolescente, poucos vingam. Geralmente fazem parte da fase de transição do jovem, onde misturam-se em sua mente diferentes ideais, projetos e conceitos variados, mas de todo proporcionam algo útil que servirá para seu desenvolvimento. Ultrapassada essa fase e com um certo amadurecimento, o jovem passa a sentir mais intensamente a necessidade de se relacionar com o sexo oposto e buscar um vínculo afetivo, sentimentos que vão se intensificando com o passar dos anos. Todo esse processo, que teve seu início no começo da adolescência, atinge seu ápice quando enfim ocorre o casamento. É como se um grande vulcão estivesse por anos acumulando forças para enfim poder erupcionar e extravasar toda sua lava de instintos e desejos acumulados. O casamento representa uma total mudança de vida para todas as pessoas, que passa a ser dividida em duas fases bem distintas: antes e depois do matrimônio. Depois disso, os hábitos mudam, os interesses mudam, enfim, a vida se transforma. Se vêm os filhos, a mudança se torna totalmente radical, praticamente sem deixar resquícios daquilo que um dia era uma vida de solteiro. Mas tudo isso acaba sendo bem vindo, pois vai ao encontro do mais básico instinto do ser humano, a reprodução.

Toda essa trama criada e a expectativa que por vários anos existiu ao seu redor a tornam extremamente marcante na vida de uma pessoa. Tanto tempo na expectativa de um acontecimento faz enaltecer ao extremo o fato de sua ocorrência e torna-o absolutamente inesquecível, tal como ocorre com o casamento, que pode ser considerado o evento mais importante que pode ocorrer na vida das pessoas. Nesse sentido, não é de se estranhar que a ruptura de um matrimônio cause desconforto e frustração em proporções bastante semelhantes quando de sua ocorrência. É como se estivesse sendo decretado o fim de algo que consumiu vários anos da vida de uma pessoa em planejamentos, expectativas e sonhos. É como se alguém passasse toda sua juventude construindo uma torre e num piscar de olhos ela desabasse. Assim é o fim de um casamento, assim é o divórcio. Tudo isso agrava-se mais se existem filhos, pois além do transtorno causado ao casal que está se separando, também será vivenciada pelos filhos uma grande decepção em ver dissolvido o lar onde sempre habitaram com seus pais. Da mesma forma que foi o casamento, o divórcio dá início a uma mudança radical de vida, uma extrema transformação em praticamente todos aspectos do cotidiano que era de uma pessoa casada. Tais transformações, inevitáveis, podem ou não serem bem assimiladas pelos ex-conjuges. Tal como ocorreu com Jennifer Lopez, muitos ficam de cama, depressivos, podendo até chegar ao extremo de tomar atitudes mais drásticas. Mas geralmente, com mais ou menos esforço, todos conseguem superar o fim da relação, a dissolução de uma família, e continuar tocando suas vidas, não raro casando-se novamente.

Superar as adversidades da vida faz parte da própria vida. Todas as pessoas desse planeta aqui estão para, hora ou outra, depararem-se com problemas e verem-se impelidas a enfrentá-los. Não fosse assim, esse planeta não seria chamado de planeta Terra e sim de planeta Paraíso. Não fosse assim, a maioria das religiões enfrentaria um grave dilema ao proclamar o paraíso após a morte, pois este estaria sendo vivenciado na vida presente, aqui e agora, e não aguardado para depois da morte. Não fosse assim ninguém precisaria estudar, trabalhar, muito menos preocupar-se com qualquer tipo de coisa, pois no paraíso nada disso é necessário, todas as coisas acontecem de acordo com nossa vontade e para nossa felicidade. Ainda, não fosse assim, não haveriam divórcios, todos seriam absolutamente felizes em cada segundo de suas vidas, ninguém seria reprovado no vestibular (como aconteceu com quem escreve essas linhas), ninguém teria de ser literalmente roubado através dos impostos que paga, todos teriam abundância de dinheiro, de saúde e de vida. Bem, pensando bem, ainda bem que não é bem assim. Gostaria que fosse, mas já que não é, preciso advogar em prol da vida que tenho. Já pensou que chato ter que acordar todos os dias e não ter nada o que fazer? Ficar deitado na cama, olhando para o teto, esperando o tempo passar para que chegue a hora de dormir de novo? Que monótono seria não precisar sair para comprar o pão todas as manhãs, não encontrar aquela estagiária bonita no ambiente de trabalho, não ouvir as fofocas da vizinha falando da filha da dona Mariazinha ou não poder reunir alguns amigos na mesa de um bar para falar mal do governo. Realmente, eu prefiro a minha vida do jeito que ela é. Quero deixar o paraíso para depois, para que após ter vivenciado toda a vida do jeito que ela é, saiba lhe dar o respectivo e merecido valor.


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