Karina Bacchi - Foto: http://bloglog.globo.com/karinabacchi

A única coisa que eu me arrependo foi de ter feito foi a Playboy e não incentivo ninguém a fazer. Naquele momento foi interessante. Foi quase um grito de rebeldia, foi desnecessário. Pensando hoje, eu vi que foi uma rebeldia desnecessária. Um querer ser ousada em uma coisa que não tinha necessidade.

 

Karina Bacchi
Apresentadora, 35 anos, mostrando-se arrependida por ter posado nua para a revista Playboy.
Julho 2012




O culto pelo corpo feminino sempre foi algo alimentado mundo afora, em praticamente todos os povos. Exceto nos povos de cultura religiosa radical, a grande maioria das pessoas, sejam homens ou mulheres, gostam e sentem-se bem em apreciar a beleza feminina, sua plástica, suas formas, seus contornos, e externam essa admiração das mais varidas formas, desde a declaração de efusivos elogios até mesmo rendendo-se totalmente ao encanto trazido pelos olhos, num ato que conhecemos pelo nome de "casamento". Claro que existem outros fatores que devem ser levados em conta para que uma pessoa se case com a outra, mas não podemos negar que quando a beleza é muito grande, ela acaba ofuscando esses outros fatores que, por sua vez, tornam-se irrelevantes, sem condições de fazer frente a algo de tamanha magnitude, e acabam sendo negligenciados. A beleza seduz, conquista, abre portas, constrói caminhos, faz coisas inimagináveis que somente quem já sentiu seu poder não é capaz de duvidar. Um bela mulher pode se valer de sua beleza de muitas formas almejando conseguir seus objetivos, fazendo o mundo girar da maneira que lhe for mais agradável. E se ela for realmente bela, acredite, não é nada difícil ou complicado. Basta que ela saiba usar suas qualidades da maneira correta, no momento correto e com as pessoas corretas, enfeitiçando-as e fazendo-as obedecerem suas vontades. Pode parecer uma das muitas brincadeiras mostradas em desenhos animados infantis, mas acredite, acontece exatemente assim na vida real. Mulheres bonitas são bem capazes de seduzir, enfeitiçar e dominar. A grande sorte das pessoas é que a maioria dessas mulheres não se dá conta do poder que possui e, para sorte de todos, não sabe usá-lo.

Valendo-se dessa inclinação natural do ser humano para apreciar tudo aquilo que é belo, nada mais natural que, nessa atual era onde as informações conseguem facilmente ser registradas, em variados meios, e percorrerem longíquos caminhos de modo fácil e rápido, surgissem publicações especializadas em mostrar os diversos tipos de beleza que se encontram no planeta. Assim sendo, surgiram periódicos especializados em mostrar tudo aquilo que pode ser considerado bonito e capaz de encher os olhos. Revistas, sites na internet, livros, mídias digitais, tudo se tornou válido para registrar o que é belo, seja ele uma paisagem, uma pintura, uma poesia e... por que não um corpo de mulher? E nesse mundo capitalista onde vivemos, nada mais previsível que necessidades de uns e capacidades de outros em oferecerem o que os primeiros desejam se transformassem em negócios, na maioria das vezes muito rentáveis. E assim surgiram as várias revistas da atualidade, dedicadas em mostrar os corpos femininos considerados belos, encantadores e capazes de provocar as mais audaciosas emoções nas pessoas que os apreciam. A revista Playboy é uma dessas publicações e Karina Bacchi foi uma das musas mostradas, da maneira que veio ao mundo. Conforme seu desabafo, ela mostra hoje estar arrependida, mas não podemos negar que, na época em que aconteceu, nas circunstâncias do momento, foi algo vantajoso para ela, seja no aspecto profissional, financeiro ou social, senão ela, como pessoa livre e racional, não teria aceitado. Geralmente, para uma mulher posar nua, o ganho maior se dá na área financeira, pois o cachê a elas oferecido é muito generoso e capaz de virar a cabeça até da mais puritana das mulheres.

Ainda falando em beleza, interessante foi a conclusão de uma pesquisa realizada ao redor do mundo, abrangendo variados povos e variadas culturas. Constatou-se nesse trabalho que a beleza segue um padrão universalmente aceito, independentemente da cultura, crença ou convicções de um povo, ou seja, o que é belo numa determinada parte do mundo assim o será em qualquer lugar desse mundo. O que se notou foram poucas variações, atribuídas a modismos ou tendências sazonais, sem alterar significantemente os gostos e preferências relacionados aos padrões gerais de beleza, que mostraram serem universais. Obviamente, o que é feio em determinada parte do mundo assim o será em qualquer lugar, pois se a beleza segue um determinado padrão, ocorre o mesmo com a fealdade. Mas por que tanto se fala em beleza num mundo tão carente de valores morais, de sentimentos sinceros e nobres, numa época em que tanto faltam qualidades de caráter nas pessoas contra meros atributos físicos? Essa pergunta é um clichê que várias pessoas gostam de usar, querendo se mostrar moralistas ou comprometidas com o que gostam de chamar de "beleza interior". Numa simples analogia, podemos dizer que se a beleza não é importante, não é necessário pintarmos as paredes de nossas casas, muito menos lavarmos o carro ou pentearmos nosso cabelo. O ser humano é um ser que possui sentidos e que sente prazer quando esses sentidos são estimulados. Por que renegar nossa própria natureza, sabendo que é essencialmente através do corpo é que podemos desfrutar do prazer de estarmos vivos? Se a tal beleza interior é o que vale, podemos abandonar nosso corpo a um segundo plano, onde seremos apenas consciência, sem matéria. Vai encarar?


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