Estou profundamente triste pela dor e constrangimento que causei às pessoas próximas a mim e a todos que foram afetados. Esta indiscrição momentânea comprometeu a coisa mais importante da minha vida, a pessoa que eu amo e respeito muito, Rob. Eu o amo, eu o amo, eu sinto muito.

 

Kristen Stewart
Atriz, 22 anos, então namorada do ator Robert Pattinson, 26 anos, sobre ter sido flagrada dentro de um carro beijando o diretor Rupert Sanders, 41 anos, casado.
Julho 2012

Kristen Stewart - Foto: Pascal Le Segretain



Kristen Stewart continua sendo uma das jovens mais bonitas e desejadas do mundo. Não bastasse o estrondoso sucesso atingido com a saga Crepúsculo, na qual fez par com Robert Pattinson, seu namorado até poucos dias atrás, também estrelou o filme Branca de Neve e o Caçador, sob o comando do diretor Rupert Sanders. Uma vida de glamour, fama, sucesso, dinheiro, tudo isso somado a um belo apartamento dividido com o namorado, este último motivo para que fosse invejada por milhões de garotas mundo afora. E durante mais de três anos, os jovens mais famosos e cobiçados do mundo eram íntimos, namorados e enamorados. Estavam apaixonados, sempre eram vistos juntos e o relacionamento dos dois corria maravilhosamente bem, até que Rupert Sanders, um quarentão talvez muito feio para os padrões hollywoodianos, sucumbiu a exagerada beleza da atriz. Até esse ponto, nada mais natural do que um homem normal render-se frente a tamanha perfeição, mesmo sendo casado e pais de duas crianças. O que hoje não está sendo considerado correto pela atriz foi o fato dela também ter se interessado por ele, mesmo que momentâneamente, mesmo que com a mera intenção de se divertir um pouco. No dia 17 de julho, saindo da academia que frequentava, recebeu uma ligação que a fez mudar de direção. Foi para um estacionamento abandonado encontrar-se com Rupert e daí seguiram-se muitos beijos dentro do carro. O destino certo dos dois seria obviamente um motel, mas sabe-se lá por quais motivos nesse dia não foi possível. Passou. No dia 22 ela ainda foi vista na companhia de seu namorado Robert durante o Teen Choice Awards, na Califórnia. Mas também havia sido vista cinco dias atrás por um paparazzo, que tratou de logo vender as fotos que tirou no estacionamento abandonado. O resultado disso tudo está refletido em seu desabafo, onde se mostra profundamente arrependida.

Novamente nos deparamos com mais um clichê da vida real, a traição em um relacionamento. Com raras exceções, todos os casais do mundo exigem fidelidade de seus pares, mesmo que particularmente não sejam fiéis. Se um casal está constituído, sejam eles namorados ou conjuges, a fidelidade se faz algo imperioso na vida a dois. Se por um lado ela vai ao encontro dos anseios de conforto e segurança de toda pessoa envolvida com outra, por outro afronta o mais básico e o mais forte dos impulsos humanos, que é o de sentir prazer. Um verdadeiro cabo de guerra onde o instinto sempre puxa mais forte. Nada consegue detê-lo. Não bastam convenções sociais nem são consideradas nenhuma das promessas e juras de fidelidade anteriormente feitas, mesmo aquelas proferidas na igreja. Pode-se audaciosamente afirmar que não basta nem o amor, mesmo que seja puro e verdadeiro. O instinto sempre falará mais alto, tendo autonomia sobre tudo e sobre todos. E foi exatamente o que aconteceu com Kristen Stewart. Pela sua própria natureza e constituição orgânica, com todos seus hormônios sexuais fervilhando no sangue diuturnamente, é fácil chegar à conclusão que o ser humano não é um ser monogâmico, absolutamente. Nunca foi e nunca será. Mesmo levando-se em conta o fato de alguém passar toda sua vida com um único parceiro, isso não o faz um ser monógamo. Sua essência seguirá sempre seu instinto, independentemente de sua vontade. E assim afirma-se que todo e qualquer ser humano é propenso e tem uma poderosa tendência a sempre buscar o prazer, que é advindo da estimulação de seus sentidos, seja por exemplo degustando uma refeição ou ouvindo uma música. O organismo humano também percebe prazeres mais e menos intensos e, obviamente, busca sempre o mais vigoroso, capaz de mais e melhor satisfazer sua necessidade. Faz-se desnecessário mencionar qual o mais intenso prazer que pode um ser humano sentir em sua existência.

Passado todo o impulso na busca pelo prazer, invariavelmente dominante e descontrolado, é natural que haja algum tipo de arrependimento, no instante em que o corpo já se encontra saciado e não opondo resistência a nenhum argumento que possa recriminar o impulso antes desencadeado. Nesse momento, com os instintos saciados e adormecidos, qualquer opinião torna-se forte perante o que temporariamente não mais está presente. O desejo, quando saciado, deixa de existir e nesse momento tudo passa a condená-lo, pois qualquer discurso, por mais tíbio que seja, sempre será mais forte do que o que não existe. Não é dessa maneira que as ponderações devem ser feitas. Deve ser levada em séria conta toda a natureza do ser humano, seus instintos, impulsos, desejos e necessidades. Deve ser considerado que todo ser humano anseia pelo prazer e tem o direito de sentir todo o prazer que a vida pode lhe oferecer. Deve ser entendido que os princípios e a razão do ser humano não controlam seus instintos, que sempre hão de dominar o indivíduo. Deve ser compreendido que, mesmo estando atada a um relacionamento e apaixonada pelo seu par, é natural que uma pessoa se desprenda momentâneamente em busca do prazer puro e simples, sem que isso venha a comprometer sua relação ou o amor sentido pelo seu parceiro. Mas sobretudo e valendo mais do que todas essas verdades aqui mencionadas, deve ser veementemente acatado que o ser humano está longe da perfeição e mais longe ainda de compreender e aceitar todos os postulados que regem sua existência. Nossos defeitos também existem e também fazem parte de nós, de nossos pensamentos e de nossas convicções. Da mesma maneira que convivemos com nossos instintos, também convivemos com nossos defeitos. Um deles é não aceitar a própria natureza poligâmica de nosso par, muito embora possamos reconhecer a nossa.


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