Leonardo - Foto: AgNews

Psicologicamente, não estou preparado para parar de cantar. Mas, automaticamente, as coisas vêm caminhando para isso. Esse ano foram cem shows. Não estou tendo tempo de ver meus filhos crescerem e eles cobram isso. Me sinto um pouco ausente da minha família e dos amigos. Por isso, pretendo dar uma diminuída nos shows.

 

Leonardo
Cantor, 49 anos, desabafando sobre o tempo em que passa distante de sua família, por conta das viagens que faz cumprindo a agenda de shows pelo Brasil.
Novembro 2012




Que todo mundo sabe que o dinheiro é muito importante nessa vida e que devemos trabalhar para conseguir esse dinheiro, é fato. Não temos como negar que nossa vida nesse planeta é regida pelo dinheiro e praticamente tudo dele depende, desde as roupas que usamos até o alimento que nos sustenta. Tudo tem relação de alguma forma ou mesmo é diretamente relacionado ao dinheiro. Essa é a regra e não há como fugir disso. Não é nenhum absurdo declarar que o dinheiro governa nossas vidas, pois a realidade é exatamente essa. Se acordamos todos os dias para trabalhar, é porque necessitamos do dinheiro que obtemos através desse trabalho. Se possuímos vestimentas e temos alimento em nossas mesas todos os dias, é porque foram comprados com dinheiro, invariavelmente. Mesmo as instituições religiosas não sobrevivem sem dinheiro. As coletas realizadas em todas as celebrações e o dízimo são exemplos claros desse fato. Em resumo, sem dinheiro a vida nesse planeta acaba por se tornar praticamente inviável. Com a rara exceção de um náufrago que consegue sobreviver numa ilha deserta se alimentando daquilo que planta e caça, ninguém mais consegue sobreviver nesse planeta sem dinheiro. Pode parecer um discurso cruel, mas infelizmente é a realidade. Todos nós, quer queiramos, quer não, somos escravos do dinheiro e não temos outra opção senão dedicarmos boa parte de nossas vidas para consegui-lo. Desde que nascemos é assim que as coisas funcionam por aqui e, pelo andar da carruagem, é assim que funcionarão por muitos séculos. Nossos filhos e nossos netos também serão escravos do mesmo dinheiro do qual hoje somos dependentes.

Tudo isso traz algumas consequências para a vida das pessoas. Num cenário padrão da sociedade moderna, a maioria das pessoas possui uma família e possui um emprego. Além disso ela possui anseios pessoais e pode possuir alguns projetos de vida que pretenda realizar. Muitas pessoas têm planos para o futuro, projetam realizações que, muitas vezes, por falta de planejamento, jamais serão concretizadas. É preciso perceber que, além do dinheiro, somos também dependentes do fator tempo para a realização de nossos anseios. Nossa vida nesse planeta é limitada, temos um determinado tempo de existência e unicamente dentro desse tempo é que poderemos realizar aquilo que desejamos. Cumpre ressaltar que uma pessoa normal passa a maior parte do tempo de seu dia trabalhando, ou seja, fazendo o que deve ser feito para obter dinheiro. Esse tempo, geralmente de oito horas diárias, pode chegar até a dez, doze horas ou mais, dependendo da compulsão ou necessidade de cada um em ter dinheiro. Obviamente, o tempo de trabalho não pode ser considerado como tempo útil na realização de nossos anseios e projetos pessoais. A não ser que não existam outras intenções fora do ambiente de trabalho, esse tempo é um tempo dedicado ao dinheiro e nada mais. Nesse contexto, descontado ainda o tempo diário de sono que todos necessitam, que não é pouco, quando é que haverá disponibilidade para que cada pessoa possa exclusivamente investir em seus projetos pessoais, desvinculada do ambiente de trabalho? Poucas pessoas chegam a esse raciocínio e passam toda a vida numa rotina de casa/trabalho, trabalho/casa até que, quando se aposentam, percebem que já é tarde para que possam realizar muitas coisas cuja oportunidade deixaram passar.

Se o trabalho, e o dinheiro que dele advém, é algo necessário, deve ser ponderada nessa circunstância a finalidade que se deseja para esse dinheiro obtido através do trabalho. Ajuntar, ajuntar e ajuntar, unicamente com intuito de ter e guardar, não é uma atitude coerente, pois assim, absolutamente, deixa-se de viver, ou seja, acaba-se abrindo mão de muitas coisas que poderiam ser feitas em prol de uma realização pessoal e familiar em troca de uma quantia a mais na conta bancária. Tempo para passar junto à família, almoçar com os pais, conversar e se divertir com os filhos, ler um livro que há muito se planeja ou mesmo até ficar sem fazer nada, meramente pensando na vida, são coisas que competem diretamente com o tempo dedicado ao trabalho. Não são somente elas, pois cada pessoa tem suas particularidades disputando diretamente com esse tempo. Deve-se trabalhar e obter o dinheiro sempre com alguma finalidade, mas jamais com o mero intuito de acumular. Claro, ter algumas reservas para que se possa estar protegido contra imprevistos é sempre conveniente, mas não faz sentido ter uma grande fortuna acumulada sem um motivo racional. Logo a vida passará e essa grande fortuna de nada foi usufruída por seu dono. E este ainda deixou de levar sua vida plenamente por conta de cada vez mais ajuntar e ajuntar. Ideal seria se todos nós pudéssemos morrer com a conta bancária absolutamente zerada. Iríamos ajuntando uma quantidade de dinheiro durante a vida e esse dinheiro iria sendo convenientemente gastado até que, no último dia de nossa vida, nossa conta bancária estivesse zerada. Teríamos então, literalmente, aproveitado cada centavo dessa vida.


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