O assessor dele veio falar com a nossa produtora, para que a Mulher Melão não fosse pedir para tirar foto com ele. Hello! Ela nem tinha falado nada e ele já supôs que ela era fã. Que absurdo! E ainda deixou claro que ele não queria de jeito nenhum. Um nojo! Depois, teve uma festa e todo mundo foi para o mesmo camarote. Quando eu cheguei com a Melão, um monte de gente veio em cima de mim. Aí, o assessor dele veio falar comigo, comentou de fazermos umas fotos juntos, mas eu não quis. Não tive a menor vontade de conhecê-lo. Nem sabia quem era. Descobri que ele é ex da Danielle Winits. Hello para ele. Com essa idade, já se achando assim. E ainda se fosse um bom ator, mas pelo que me disseram…

 

Val Marchiori
Socialite, 38 anos, sobre o ator Jonatas Faro, com o qual ficou hospedada no mesmo hotel, em Cancun, enquanto gravava, com a Mulher Melão, matéria para o Programa da Tarde, exibido pela Rede Record.
Outubro 2012

Val Marchiori - Foto: http://istoegente.terra.com.br



A verdade é que a maioria das pessoas adora se sentir importante, adora ter o seu dia de estrela, adora de alguma forma se sentir superior as outras, mesmo que essa superioridade seja mera fantasia de sua mente. Gostam de imaginar ao redor de si o seu mundo de glamour, por elas idealizado, se projetam para dentro desse mundo e a partir daí se convencem que são o último doce da doçaria. E é tão forte a fantasia que essas pessoas passam a piamente acreditar que são na verdade as maiores estrelas do mundo e passam a agir e tomar atitudes como se realmente assim fossem. Ao que parece, foi exatamente isso que aconteceu com o ator Jonatas Faro, que num ataque de estrelismo passou a se sentir como se fosse a pessoa mais ilustre e importante do planeta. A partir desse momento, todas as pessoas passaram a ser suas fãs e ele passou a ser o centro de todas as atenções. Em seu imaginário, todos queriam tirar fotos junto a ele e era acirrada a disputa por um lugar ao seu lado. Dentro de sua fantasia de celebridade internacional, rumores sobre sua presença no local já haviam ganhado as manchetes mundiais e milhares de fãs de outros países já estavam reservando poltronas nos aviões para tentarem alguma chance de se aproximarem dele. Toda a imprensa estava no local por sua exclusiva causa e sua estonteante beleza estava a fascinar todas as mulheres, inclusive a Mulher Melão, a qual imaginou que estava ansiosa por uma foto ao seu lado. Nesse mundo de fantasia, tudo passa a ser verdadeiro e o perigo de tanta imaginação se dá quando a pessoa deixa de viver no mundo real e não mais consegue retornar, mergulhando cada vez mais fundo no mar de suas quimeras.

Como definiu a própria Val Marchiori: um nojo! Essa é a conclusão que a maioria das pessoas têm com relação àquelas que se acham todas supremas e poderosas. Na verdade, as pessoas realmente poderosas não têm essa necessidade de se mostrarem, essa carência de sentirem-se consideradas. Quem realmente é importante tem assimilado dentro de si que não precisa provar nada para ninguém, não precisa ficar a todo o momento tentando desesperadamente direcionar para si os focos de luz, na esperança de atrair as atenções. Isso acontece naturalmente, sem que haja nenhum tipo de esforço. Por analogia, podemos ilustrar o fato citando o exemplo de uma pessoa comum que de repente ganha algum dinheiro e passa a achar que é muito rica. Essa pessoa compra um carro zero quilomêtro e imediatamente passa a exibir o carro para todos os conhecidos e desconhecidos, tentando passar a idéia de que possui muito dinheiro e tem poder. Fazendo as outras acreditarem que tem poder, essa pessoa passa a sentir-se importante, sentimento que provavelmente jamais tivera antes experimentado. Acontece muito com pessoas inseguras, que precisam a todo momento provar algo para as outras em troca de reconhecimento. No meio artístico, isso é muito comum. Fulano ganha lá uma certa projeção e imediatamente cria em torno de si um mundo imaginário onde ele é constantemente o centro de tudo o que ocorre no universo, razão de tudo e de todos. Se alguém olha, é para ele. Se alguém diz algo, foi por ele. Se alguém fica feliz, é porque ele chegou. Se alguém chora, é porque ele foi embora. Infelizmente é nesse mundo irreal que vivem muitos artistas que conhecemos.

Adentrando na questão de modo mais filosófico, percebe-se que a visão de futuro da maioria das pessoas é deveras limitada, restringindo-se a poucos anos adiante. Não conseguem essas pessoas projetarem-se num futuro mais distante e desfrutarem de uma visão mais ampla sobre o que é a vida, percebendo a temporariedade das coisas, fatos e delas mesmas. A bem da verdade, sejam as pessoas importantes ou não, ricas ou pobres, vivendo ou não vivendo dentro de seu mundo imaginário, ao findar um futuro não muito distante, estarão todas no mesmo lugar, em absoluta condição de igualdade, enterradas sob sete palmos de terra. Isso é fato incontestável e não há nada mais verdadeiro no mundo do que essa realidade. Tendo em vista essa asserção, poderíamos então indagar sobre qual o valor das coisas que fazemos, das atitudes que tomamos e, num sentido mais amplo, sobre qual o nosso verdadeiro valor. Seja lá qual for, esse valor é algo absolutamente temporário, volátil, inconsistente. Podemos seguramente dizer que é um falso valor, um valor que somente existe no momento em que sua causa está a acontecer e diretamente dela dependente. Cessada a causa, cessa o valor e tudo é esquecido. Pode parecer uma conclusão um pouco cruel, mas infelizmente é dessa maneira que a vida se desenrola e, concordando ou discordando, não temos opção de escolha. É algo que nos foi imposto e não há nada que possa ser feito para mudar a situação. Famosos ou não, todos os ilustríssimos e todos os anônimos gozarão do mesmo futuro, que não tardará a abocanhar a todos, indistintamente.


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