Vera Fischer - Foto: http://www.vistolivre.xpg.com.br

Namorado não quero, porque atrapalha, dá trabalho, a gente tem que dar explicação. Não tenho tempo. Se aparecer... Mas é difícil no Brasil achar um homem da minha idade. É tudo casado ou galinha. É melhor ficar sozinha!

 

Vera Fischer
Atriz, 60 anos, que após um período de internação para tratar sua dependência química e outra cirurgia plástica, participa da nova novela da Rede Globo, Salve Jorge, a ser exibida no horário nobre.
Outubro 2012




As relações afetivas entre homem e mulher nunca andaram tão conturbadas como andam atualmente e são vários os motivos que levam a isso. Um deles é que em virtude do grande aumento da população, as pessoas se aglomeram em praticamente todos os lugares, desde no trabalho até no condomínio onde moram. Também existe aglomeração nos restaurantes, parques, meios de transporte públicos e até dentro das academias de ginástica. Isso favorece um fácil início de contato entre as pessoas, especialmente entre as de sexo oposto. Se a relação afetiva de alguém não vai lá tão bem e esse alguém tem várias chances de conhecer novas pessoas e mesmo de com elas iniciar um novo relacionamento, não é surpresa chegar à conclusão de que sua relação original corre grave risco de acabar. Outro motivo que deve ser considerado é a mudança de comportamento que as mulheres vêm apresentando desde as últimas décadas. Se a mulher de alguns anos atrás raramente trabalhava fora de casa e era dependente financeiramente de seu marido, a mulher de hoje é totalmente o contrário. Quase todas possuem um emprego fixo, possuem sua renda e sentem-se relativamente independentes. Essa sensação de independência faz com que elas sintam-se totalmente desvinculadas de seu cônjuge e, de certa forma, enfraquece os laços emotivos que une o casal. Ao menor sinal de conflito entre o casal, logo vem à tona na mente da mulher esse sentimento de independência, esse sentimento de que não depende do marido e que pode se manter sozinha, e com ele abrem-se as portas que levam ao fim da relação. Tudo isso passa a ser confortado pela grande possibilidade dessa mulher se envolver rapidamente numa nova relação e se esquecer da anterior.

Também contribuindo para a situação acima descrita, existe uma grande mudança de mentalidade que é gradualmente experimentada por todas as pessoas do mundo atual. As pessoas de hoje já não mais pensam e agem como as pessoas de tempos atrás, especialmente quando o assunto envolve algum tipo de relação afetiva. O inconsciente coletivo foi transformando-se através das décadas e hoje apresenta um nível de exigência nunca antes observado. O homem moderno é acostumando desde criança às dificuldades da vida e tem imprimido em sua mente que é necessário lutar para conseguir tudo o que deseja, seja estudando ou seja trabalhando duro. E por existir um sentimento de luta e dificuldade para se alcançar os objetivos desejados, acaba existindo um nível de exigência elevado quanto a eles. E todo esse pensamento é reforçado pela mídia, que avaliza e estimula um comportamento ferrenho nas pessoas para que alcancem seus objetivos. Numa relação a dois, esse tipo de comportamento é altamente prejudicial, pois não dá margem a um diálogo onde o casal possa se entender, fazendo com que cada par brigue ardorosamente para fazer valer sua opinião, sem sequer recuar um centímetro que seja em busca de uma solução amigável. E quando as partes recusam-se a ceder em prol de um acordo, o desfecho acaba sendo trágico, culminando com o estremecimento da relação conjugal ou mesmo com o seu término, tudo isso pelo simples motivo das pessoas estarem programadas desde pequenas para não ceder e lutar até o fim em busca de seus objetivos. Se por um lado isso pode ser uma atitude positiva frente à vida e suas dificuldades, numa relação à dois acaba por não ser a melhor opção.

Não é de se estranhar que a cada período de tempo vem aumentando o número de pessoas solteiras, que vivem sozinhas e sentem-se bem dessa maneira. Diante de tantos conflitos que uma vida conjugal promete, diante de tantas cobranças que certamente passarão a ser impostas pela outra parte e principalmente diante da quase inevitável restrição da liberdade, fator de peso para os solteiros convictos, cada vez mais homens e mulheres abraçam o estilo de vida individual, fugindo das complicações que uma vida de casal pode trazer. Num ponto essas pessoas estão certas, pois é melhor viver só do que estar dentro de uma relação conturbada que não acrescenta nada de bom para elas, pois o sentido da vida a dois é justamente cada par contribuir com o outro compartilhando o que tem de bom e no final tudo isso será somado beneficiando a ambos. Quando isso não ocorre, certamente está existindo algo de errado na vida do casal e a relação não está caminhando em seu curso desejado. Por outro lado, podemos considerar que estão errados aqueles solteiros convictos que definitivamente taxam o casamento como algo indesejável e fonte de desentendimentos. Tudo depende da outra parte, tudo depende do cônjuge que se escolhe. É muito grande a variabilidade humana e seria imprudente considerar que absolutamente todas as pessoas seriam fonte de conflitos numa vida conjugal. Uma vantagem é que essa vida conjugal pode ser delineada já nos primeiros meses de namoro, que é considerado como uma fonte de experimentação da vida a dois, onde cada par pode, a qualquer momento, desistir da relação, caso perceba que ela caminha para um lado de conflitos e cobranças.


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